Tecnologia BIM- Uma ferramenta da arquitetura que ajuda no combate à corrupção

Quem nunca ouviu falar nos “famosos” aditivos contratuais para dar prosseguimento a uma obra pública quando o orçamento parece ter chegado ao fim? Na verdade, muitos desses aditivos são considerados porta de entrada para o desvio de verbas através do superfaturamento dessas obras. Mas, uma tecnologia pode ajudar no combate a esse tipo de prática delituosa: o BIM.
O conceito de tecnologia BIM (Building Information Modeling ou Modelagem de Informação da Construção) é uma das novidades mais promissoras dentro do mercado de Arquitetura, Engenharia e Construção. Este conceito envolve o gerenciamento de informações dentro de um edifício, desde a fase inicial de projeto, criando um modelo digital que abrange todo o ciclo de vida da edificação.
Difícil?! Não…O BIM pressupõe que o projetista modela o edifício virtual, desde a fase de concepção arquitetônica, passando pelos detalhes construtivos e finalizando com a quantificação rigorosa dos materiais e acabamentos. Isso tudo utilizando ferramentas de projeto que permitem gerenciar diversas equipes interdisciplinares, minimizando erros comuns ao processo de projeto em 2D.
“Antes do BIM nos desenvolvíamos projetos representando por desenhos geométricos em duas dimensões com um conjunto de representações denominados “Planta Baixa, Cortes, fachadas”, hoje nós modelamos os projetos construindo todos os espaços, definindo os materiais e visualizando ao mesmo tempo em três dimensões. Desta forma o cliente visualiza o projeto em uma realidade virtual e com precisão e convicção do produto final”, explica o arquiteto e urbanista, Jerônimo Maynart.
Ou seja, hoje é possível com tecnologia BIM criar uma edificação a partir da maquete eletrônica, gerando plantas, cortes e vistas, além de simular os detalhes estruturais, interferências externas e internas, cálculos de eficiência energética, entre outros detalhes, de forma que cada um dos componentes criados no projeto seja automaticamente associado aos outros, gerando uma informação completa ao final do processo.
O uso do BIM pode, por exemplo, gerar uma quantificação automática e precisa nos orçamentos, minimizando a sobrecarga da atividade de orçamentação e reduzindo erros. Com ferramentas BIM ao modificar o projeto em 3D, todos os desenhos e documentos são atualizados e da mesma forma, os quantitativos são recalculados.
O sistema BIM vem sendo cada vez mais utilizado por escritórios de Arquitetura e Engenharia tanto no Brasil quanto no exterior, sendo que lá fora, alguns governos como da Noruega, Alemanha, Singapura e Hong-Kongjá utilizam esta tecnologia em projetos-piloto, para o total gerenciamento de suas edificações.
O BIM ainda não faz parte totalmente do processo de projeto, no entanto, está claro que a tendência de adoção desta tecnologia é irreversível.
“Como benefício teremos a redução do retrabalho durante a execução da obra, menor tempo de execução, redução comprovado do custo final da obra de aproximadamente 5%, e fim dos chamados aditivos de obra muito usados pela corrupção do obras públicas”, finaliza Jerônimo Maynart.
Por suas vantagens em relação ao processo de projeto 2D, cada vez mais essa tecnologia tem atraído os profissionais da área. Os fabricantes de softwares CAD tem aprimorado as possibilidades dos programas e também a integração e interoperabilidade entre os diversos softwares disponíveis no mercado.

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