“Servidores da Fundação Renascer ganham mais que o presidente”

Por Habacuque Villacorte

O líder da bancada de oposição da Assembleia Legislativa, deputado estadual Georgeo Passos (PTC) conversou com a reportagem do JORNAL A GAZETA e revelou que está apurando uma denúncia grave relacionada a uma espécie de “farra” com o pagamento de plantões extras para um grupo de funcionários da Fundação Renascer. Segundo o parlamentar há indícios de “apadrinhamentos” desses trabalhadores. Georgeo explicou que está reunindo uma vasta documentação para encaminhar ao Ministério Público Estadual no sentido que este promova uma ampla investigação na Fundação.
Na entrevista, o deputado Georgeo Passos explicou que esses fatos relacionados à Fundação Renascer não podem ser desconsiderados e precisam ser devidamente investigados. “A informação que recebemos é que um mesmo grupo de funcionários vem recebendo o pagamento por esses plantões extras todos os meses. E não dá para dizer que não é verdade porque nós estamos com alguns contracheques já verificados no portal da transparência. Temos uma fundamentação e vamos nos debruçar sobre esse assunto”, explicou o parlamentar.
Outro fato grave chamou a atenção do deputado Georgeo Passos: tem funcionário recebendo mais do que o próprio presidente da entidade, Wellington Mangueira. “Conferindo os contracheques percebemos que alguns funcionários da Fundação Renascer chegam a ganhar até mais que o próprio presidente. Pelo visto não há um controle sobre o pagamento desses plantões extras e tem funcionários que praticamente não vão para casa pela carga horária que dizem exercer na entidade”.
“Chega a ser quase que impossível o servidor cumprir sua carga horária normal e ainda cumprir tantos plantões extras. Nós vamos pedir as comprovações desses pagamentos. O interessante é que são praticamente os mesmos funcionários agraciados com esses benefícios. É preciso que os responsáveis pela Fundação possam esclarecer quais são os critérios, qual o valor pago por plantão extra, como esses funcionários são selecionados. A informação é que quem atua no plantão apenas assina uma lista”, completou o líder da oposição.
Georgeo também chamou a atenção para outro aspecto: funcionários contratados por empresas terceirizadas estariam em desvio de funções e exercendo funções de chefia e coordenação na Fundação. “Pelos documentos que recebemos, para determinadas chefias na Fundação, ao invés de nomearem comissionados, talvez por serem funções mais visadas, pessoas estão entrando em empresas terceirizadas para ocuparem estes cargos. É algo que afronta a legislação”.

“É preciso que os responsáveis pela Fundação possam esclarecer quais são os critérios, qual o valor pago por plantão extra e como esses funcionários são selecionados”

“Pessoas que vieram da Bahia, sem qualquer vínculo, estão respondendo por posições estratégicas da Fundação, recebendo salários para responderem por essas chefias. É algo que precisa ser esclarecido por quem comanda a Fundação neste momento. Sabemos que a entidade tem um histórico de alguns desmandos no passado e, inclusive, ações judiciais chegaram a ser impostas contra ex-gestores. Vamos verificar se é humanamente possível que um funcionário consiga prestar tantos plantões extras, além da carga horária normal”, acrescentou o deputada.

Denúncia
Georgeo Passos revelou ainda que toda a documentação que recebeu será direcionada para o Ministério Público Estadual. “Até para que o MPE possa aprofundar todas as investigação e detectar, ou não, se essa denúncia tem procedência. É a nossa missão enquanto fiscal do povo, enquanto legislador. Tiramos os contracheques dessas pessoas no Portal da Transparência e os valores são altos e geralmente do mesmo grupo. Eu não vou ser leviano em dizer que todos que prestam plantões estão recebendo indevidamente, mas alguns casos nos chamam a atenção e nós queremos verificar sim a legalidade desses pagamentos”.

Luta salarial
Outro ponto alertado por Georgeo Passos é pela necessidade de uma política de valorização salarial dos funcionários da Fundação Renascer. “Diante desses indícios de desmandos dentro da Fundação, chamo a atenção para a situação dos servidores efetivos que estão em luta que seus vencimentos tenham, pelo menos, a recomposição da inflação. Eles estão lutando por um plano de cargos e salários, tiveram paralisação das atividades na última semana e, se esse dinheiro fosse bem gerido, talvez não apenas um grupo fosse beneficiado, mas toda uma categoria que trabalha com o menor nessas unidades”.

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