Sem réveillon em Aracaju, 52 segmentos podem ser prejudicados

Indefinições da gestão de Edvaldo Nogueira deixam cadeia produtiva do turismo bastante apreensiva.

Por Habacuque Villacorte

Os rumores de que a Prefeitura de Aracaju pode não realizar o réveillon em dezembro ascenderam a “luz amarela” para a cadeia produtiva do turismo do Estado. O evento costuma atrair milhares de pessoas para a Orla da Atalaia e requer investimentos com a decoração natalina, queima de fogos de artifício e atrações musicais dentro de uma programação gratuita. Por ser um período de férias escolares, o réveillon é o típico evento que atrai turistas, que fomenta o comércio e aquece a economia. A administração do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) alega sérias dificuldades financeiras.
Em 2017, a Prefeitura de Aracaju, pela primeira vez desde a criação do evento, já não realizou o Forró Caju, que era uma tradição do Estado no período junino, desde 2001 e que colocou Sergipe no calendário nacional de eventos. Para a cadeia produtiva do turismo, por exemplo, a não realização dos festejos trouxe grande prejuízo, porque muitos turistas que viram para o Estado, de várias regiões do País, foram para outros destinos tradicionais como Campina Grande (PB) e Caruaru (PE).
O risco de Aracaju não promover seu tradicional réveillon vai de encontro com as capitais dos Estados vizinhos. Em Salvador (BA), por exemplo, os festejos estão assegurados em parceria entre os setores público e privado, e este ano será realizado em um local diferenciado e mais amplo, durante cinco dias ininterruptos, com programação já definida e divulgada, com artistas locais e de expressão nacional, atraindo turistas de todo o País, assim como já acontece no Carnaval.
Já em Maceió (AL), o réveillon municipal é praticamente “engolido” pela competição dos eventos privados que, a cada ano, rivalizam com artistas nacionais, atraindo para o destino turistas de todas as regiões e até de outros Países, com uma semana de eventos contínuos e sistemáticos, aquecendo a economia, superlotando hotéis, pousadas, restaurantes, os mercados municipais, bares, restaurantes e shoppings. Festas como o Celebration, Allure, Reveillon da Virada, Café de la Musique, dentre outras, são propagandas na internet, inclusive com a venda de ingressos e “combos”, com acesso à festa e hospedagem.

Em 2017, a Prefeitura de Aracaju, pela primeira vez desde a criação do evento, já não realizou o Forró Caju, que era uma tradição do Estado no período junino, desde 2001

 

Prefeitura de Aracaju
O secretário adjunto de Comunicação da Prefeitura de Aracaju, Elton Coelho, em conversa com o JORNAL A GAZETA, confirmou o risco da administração não realizar o evento em 2017. “Este é um assunto (réveillon) que nós estamos pensando, mas que só teremos uma definição entre outubro e novembro. O prefeito vai avaliar a possibilidade de fazer a festa, mas está priorizando os serviços e a infraestrutura da cidade. Não há como fazer sem observar o comportamento da receita”.
Elton Coelho explicou ainda que a Prefeitura também estuda buscar parcerias com a iniciativa privada. “A Prefeitura, através da Funcaju, vai buscar esse apoio. Hoje nós não teríamos condições de realizar a festa, mas é preciso esperar as receitas de outubro, principalmente. Sem uma melhora, o réveillon terá que ser sacrificado, como já foi o Forró Caju”, disse, reconhecendo que quanto mais se demora para definir a festa, mais difícil fica para encontrar artistas com espaço na agenda para serem contratados.

Fecomércio
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Sergipe (Fecomércio), o deputado federal Laércio Oliveira, vê com preocupação a não realização do réveillon em Aracaju. “É uma preocupação sim para a nossa Câmara Empresarial do Setor de Turismo. Nós sequer temos um equipamento para eventos na nossa capital. O Centro de Convenções, próprio para eventos de porte médio para cima, está com suas obras atrasadas e não temos nem a previsão da sua conclusão”.
Laércio explicou que a falta desse equipamento é um complicador para atrair eventos para Aracaju. “Sem o Forró Caju esse ano já foi difícil para vários segmentos. Era uma tradição que quase ocupava 100% da nossa rede hoteleira. Há uma preocupação dos empresários porque se confirmar que não teremos o réveillon, há um prejuízo muito grande para o turismo. Eu particularmente acho muito difícil o poder público promover algo neste momento e vejo que para acontecer será preciso a intervenção da iniciativa privada. É preciso buscar outro modelo como fazem outros Estados”.

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