OMS diz quais as maiores causas de morte de jovens no Brasil e no mundo

Relatório diz que houve 1,2 milhão de mortes, a maioria por causas evitáveis, em 2015, uma média de 3 mil por dia; violência e trânsito estão por trás da maioria dos óbitos brasileiros.

No resto do mundo, as cinco principais causas de morte entre jovens de ambos os sexos, de 10 e 19 anos são: acidentes de trânsito, infecções respiratórias (pneumonia), suicídio, infecções intestinais (diarreia) e afogamentos. Mais de dois terços dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento, revelam os dados de 2015 da OMS. Dividindo por sexo, a estimativa aponta que, no mundo todo, meninos de 10 a 19 anos morrem principalmente por acidentes de trânsito, violência interpessoal, afogamento, infecção do sistema respiratório e suicídio. As meninas da mesma faixa etária têm mortes atribuídas a infecções do sistema respiratório, suicídio, infecções intestinais, problemas relacionados à maternidade e acidentes de trânsito. Essas tragédias poderiam ser evitadas se os países investissem mais em educação, serviços de saúde e apoio social, diz a OMS. “O período da adolescência é um momento particularmente importante para a saúde, porque definirá hábitos que terão impacto na qualidade de vida pelas próximas décadas. É nessa época que a inatividade física, a má dieta e o comportamento sexual de risco têm início”, disse a OMS. A organização critica a falta de atenção dada a essa faixa etária da população nas políticas públicas. “Adolescentes estiveram completamente ausentes dos planejamentos de saúde nacional por décadas”, lamentou Flávia Bustreo, Diretora-Geral assistente da OMS.

Soluções – O documento aponta ainda soluções que podem ajudar a evitar essas mortes precoces. São sugestões de políticas públicas que podem ter grande impacto nas estatísticas. Um exemplo é a recomendações da implementação de leis e campanhas de conscientização pelo uso do cinto de segurança. Em 2015, acidentes de trânsito mataram 115 mil jovens de 10 a 19 anos no mundo todo. O Brasil é citado no documento como caso bem sucedido no combate a mortes no trânsito. “Entre 1991 e 1997 o Ministério da Saúde do Brasil registrou aumento dramático na mortalidade de jovens em acidentes de trânsito”, afirma o documento. “Em resposta, legisladores introduziram um novo código de trânsito em 1998 que tornava mais severa as punições aos infratores”. O novo código de trânsito teria ajudado a salvar 5 mil vidas no período entre 1998 e 2001 segundo a OMS. Apesar de o trânsito ser um problema universal, há marcantes diferenças entre as regiões quanto às causas OMS diz quais as maiores causas de morte de jovens no Brasil e no mundo Relatório diz que houve 1,2 milhão de mortes, a maioria por causas evitáveis, em 2015, uma média de 3 mil por dia; violência e trânsito estão por trás da maioria dos óbitos brasileiros de óbito. Nos países de renda baixa-média da África, doenças transmissíveis como HIV-AIDS, infecções do sistema respiratório, meningite e diarréia são os principais vilões. A anemia, doença causada pela deficiência de ferro no sangue, também é um mal muito comum, que atinge milhares de jovens no mundo todo em países pobres e ricos. O suicídio, ou a morte acidental causada por atitudes auto-destrutivas, foi a terceira causa de mortalidade de adolescentes em 2015, totalizando 67 mil mortes. Em sua maioria, as vítimas são adolescentes mais velhos. Em regiões com boas condições econômicas como a Europa, o suicídio também aparece entre as principais causas. Cortar a si mesmo é o tipo de autoviolência mais comum observado no continente. A estimativa global da OMS é de que até 10% da população adolescente mundial cometa algum ato de violência contra si. O documento recomenda fazer mais investimentos e dar atenção especial às pessoas nessa fase da vida, onde grandes frustrações e incertezas despontam: “jovens normalmente tomam responsabilidades de adultos como cuidar de irmãos menores, trabalhar, ter de abandonar os estudos, casar cedo, praticar sexo por dinheiro, simplesmente porque precisam dar conta das necessidades básicas de sobrevivência. Como resultado, eles sofrem de desnutrição, acidentes, gravidez indesejada, violência sexual, doenças sexualmente transmissíveis e transtornos mentais”, resume o documento. “Melhorar a forma como o sistema de saúde atende aos adolescentes é apenas uma parte da melhora da saúde deles”, diz Anthony Costello, mé- dico da OMS. “Uma família e uma comunidade que apoia os seus jovens são extremamente importantes”, completa. Entre as políticas básicas que os países devem tentar implementar para diminuir o risco de mortes precoces estão: programas de orientação sexual na escola, aumento da idade mínima para consumo de álcool, obrigatoriedade do uso do cinto de segurança nos automóveis e de capacetes para ciclistas e motociclistas; redução do acesso a armas de fogo, aumento da qualidade da água e melhoria da infra-estrutura sanitária.

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