Entrevista Sérgio Reis: “Vou trabalhar contra aliança com o PT”

Sérgio Reis defende afastamento do Partido dos Trabalhadores
e garante que seu grupo não vota em Rogério para o Senado

O entrevistado desta semana é o ex-deputado federal Sérgio Reis (PMDB), que promove uma grande polêmica ao defender, com exclusividade para a reportagem do JORNAL A GAZETA, que vai trabalhar internamente, dentro de sua legenda, no sentido que não se faça uma aliança política com o Partido dos Trabalhadores nas eleições de 2018. Outro ponto que também chama bastante a atenção é o anúncio de que a Família Reis não se sente confortável e que não votará em Rogério Carvalho, caso ele venha a ser candidato a senador da República pelo agrupamento. Por sua vez, Sérgio reafirma o compromisso do grupo com uma candidatura de Jackson Barreto (PMDB) ao Senado e sentencia Belivaldo Chagas (PMDB) como candidato ao governo no próximo ano. Ele também explica que o líder do governo no Congresso Nacional, deputado federal André Moura (PSC) é muito bem vindo ao PMDB se vier para somar. Confira a seguir, e na íntegra, a entrevista exclusiva.

Por Habacuque Villacorte

A GAZETA: Iniciando a entrevista, vamos à pergunta que não quer calar: o candidato ao governo do seu agrupamento em 2018 será mesmo Belivaldo Chagas ou existe a possibilidade de outro nome ser apresentado? Qual a sua opinião?
SÉRGIO REIS: Não há mais dúvidas quanto a isso, o vice-governador Belivaldo Chagas é o único candidato dentro do nosso grupo que reúne todas as condições, excelente gestor, profundo conhecedor da máquina pública, ficha limpa, e é um exímio articulador político. A nossa família, o nosso grupo em Lagarto está fechado com a candidatura de Belivaldo. Aliás, somos pioneiros no projeto político dele.

AG: E pela proximidade que seu grupo tem com o governador Jackson Barreto, a decisão de candidatura ao Senado é algo irreversível? Quando ele deve deixar o Executivo em sua opinião? No prazo legal ou já no início de 2018?O que se comenta nos bastidores?
SR: O governador Jackson Barreto tem uma cadeira assegurada para Senado Federal. É um dos melhores governadores dos últimos tempos, está sempre um passo à frente de todos, sempre preocupado com os mais carentes e com o crescimento do Estado de Sergipe. Posso assegurar que uma vaga de senador será dele; a outra vaga vai para disputa. Sobre a sua pergunta, eu acredito que ele se desincompatibiliza em Abril, no prazo final.

AG: É fato que você não fala pelo PMDB como um todo, mas pelo agrupamento que compõe, mas, avaliando friamente o cenário nacional, existe possibilidade de uma aliança com o Partido dos Trabalhadores em Sergipe? O senhor defende este entendimento com o PMDB?
SR: Já falei isso publicamente algumas vezes. Pessoalmente sou contra a aliança com o Partido dos Trabalhadores e, se dependesse da minha vontade, estaríamos em palanques diferentes no próximo ano. Mas isso quem deve definir mais à frente são os líderes. Vou trabalhar internamente para convencer os demais membros que compõem o bloco de aliança a não aceitarem a aliança com o PT. E eu não vejo nenhum radicalismo nisso porque do outro lado, vários petistas, como o agrupamento da deputada estadual e professora Ana Lúcia, por exemplo, não votam e não querem uma aliança com o PMDB. Então, sendo assim, eu pense que eles devem seguir o caminho deles e nós seguiremos o nosso.

AG: O deputado Fábio Reis foi muito criticado por alguns setores por não ter votado contra a aceitação da denúncia que existia com o presidente Temer. Em sua avaliação, ele saiu fortalecido ou fragilizado daquela votação? E como ficou o prestígio dele dentro do governo e do PMDB?
SR: Quem mais criticou Fábio Reis foram aqueles militantes ligados ao Partido dos Trabalhadores. Não se viu ninguém ir as ruas pedir a saída do presidente Michel Temer. Em minha avaliação, tanto Fabio Reis quanto o deputado André Moura acertaram, quando votaram pensando no País. Eu entendo que Fábio saiu fortalecido dentro do PMDB também e uma coisa precisa ficar clara: a população está preocupada sim com a geração de empregos, com a Saúde, a Educação, com o pagamento de salários em dia. A população já não aguenta mais tanta turbulência política e, no próximo ano, ela vai escolher novos representantes de forma democrática.

AG: Falando em prestígio dentro do PMDB, percebe-se que há um “namoro” entre o partido e o deputado federal André Moura. Ninguém confirma nada, mas também não desmente. Existe a possibilidade de André vir e ser candidato pelo partido ao Senado, por exemplo? Ou fica na oposição, mesmo como líder do governo?
SR: Em Brasília, na Executiva Nacional do partido e na liderança do PMDB, nunca se tocou no assunto. Mas se o líder do governo, deputado André Moura quiser integrar ao projeto e ser candidato à reeleição pelo PMDB, nós não criaríamos obstáculos. André Moura é muito bem vindo para se somar ao projeto e ser candidato à reeleição. É este o meu entendimento.
AG: Falando um pouco de Lagarto, está claro que a oposição ao seu grupo votará em um candidato ao Senado, mas teria compromisso com uma candidatura de Rogério Carvalho para senador. E a sua família? Como vai ficar? Vota em quem para o Senado? Faz alguma restrição? Por que?
SR: Sobre este assunto, eu quero dizer que não há a mínima possibilidade de votarmos com Rogério Carvalho para o Senado Federal no próximo ano. Puramente por falta de compatibilidade ideológica. Vamos deixar para que o prefeito de Lagarto, Valmir Monteiro (PSC), juntamente com o deputado estadual Gustinho Ribeiro (PRP) acompanhem o voto nele.

AG: Ainda dentro dessa relação PMDB/PT, como você avalia a Caravana do ex-presidente Lula por Sergipe? Para muitos foi um fracasso. Para os petistas e esquerdistas foi um sucesso. Qual a sua avaliação? A passagem dele por Lagarto pode interferir em algo na política do município?
SR: Olha na minha avaliação essa Caravana do ex-presidente Lula pelo Nordeste, e aqui em Sergipe, especificamente, ficou muito distante do que eles almejavam. Tinha pouca gente e, além disso, alguns grupos radicais presentes foram deselegantes com o Governador Jackson Barreto que estava presente nos atos de Estância e Nossa Senhora da Glória. Sobre a política de Lagarto, eu vejo que não interfere em nada! A visita do ex-presidente ao município aconteceu em um espaço bastante restrito e, para falar a verdade, poucas pessoas souberam da passagem dele por lá.

AG: Comenta-se que a chapa majoritária do governo já estaria praticamente fechada, restando um nome para vice. Pelas conversas em andamento, existe algum nome já definido? Aparentemente o nome de Luís Mitidieri (PSD) perdeu força. Agora já se fala em Fábio Henrique (PDT) ou em Heleno Silva (PRB). O que o senhor acha?
SR: Por enquanto, olhando o cenário para a eleição do próximo ano, só existem dois nomes certos: Jackson Barreto e Belivaldo Chagas. Não tem nada certo com ninguém e qualquer coisa é especulação. Belivaldo será candidato a governador e a partir de 1º de outubro vai começar a fazer o trabalho de composição e montar seu programa de governo.

AG: Especula-se que teremos uma eleição atípica em 2018, onde muita gente com mandato pode ficar de fora e muita gente pode surpreender. Pelo desenho atual, dá para arriscar alguma previsão? O risco das abstenções aumentarem é real?
SR: Esse será o grande desafio dos candidatos no próximo ano: encontrar meios para que a população volte a se interessar pela política. Com as coisas dessa forma que nós estamos assistindo, colocando tudo dentro da mesma vala, não teremos mais que 50% de eleitores votantes. Veja o exemplo que tivemos agora na eleição do Estado do Amazonas com tantas abstenções! Eu entendo que é preciso fazer um trabalho de conscientização e de informação também. As pessoas precisam ter a percepção que existem políticos bons e honestos, que não podemos jogar todos em uma mesma vala comum, cheia de problemas e irregularidades. Existem pessoas boas e ruins em todos os segmentos, inclusive na política. Acho que a presença da população no processo eleitoral é fundamental até para que a gente não eleja um suposto “salvador da pátria” e depois fique quatro anos arrependido, lamentando a decisão da maioria.

AG: Concluindo a entrevista, e quanto a Sérgio Reis? Seu nome foi citado para primeiro suplente ao Senado em 2018. Existe algo em sendo conversado neste sentido? O senhor vai disputar algum mandato eletivo ou pode abrir mão em nome de algum outro projeto?
SR: Eu confesso a você que já coloquei meu nome à disposição do Partido e do governador Jackson Barreto para uma vaga na chapa majoritária. Ainda é muito cedo e esta é uma decisão que será tomada em grupo. O momento agora é de trabalhar muito para tentar consolidar isso.

 

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