Entrevista exclusiva Róbson Viana:“Estamos discutindo uma aproximação do DEM com JB”

Róbson Viana diz que senadora Maria do Carmo tem um “alinhamento muito forte” com o governador

O entrevistado desta semana é o deputado estadual Róbson Viana (PATRIOTAS), que surpreendeu ao revelar que está sendo encaminhado um entendimento político para o DEM fazer uma composição com o agrupamento do governador Jackson Barreto (PMDB) em 2018. O parlamentar diz ter certeza que o pré-candidato do bloco será mesmo o atual vice-governador Belivaldo Chagas (PMDB) e defende que o candidato a vice seja um nome novo e que possa agregar efetivamente. Ele aposta em uma candidatura de Aninha Alves (DEM) para deputada federal e revela que ela irá surpreender muita gente em Sergipe. Nesta entrevista ao JORNAL A GAZETA, ele fala da possibilidade do presidenciável Jair Bolsonaro (PSC) se filiar no seu partido e comenta sobre seu futuro na legenda. Confira a seguir, e na íntegra, a entrevista exclusiva.

Por Habacuque Villacorte

A GAZETA: Iniciando a entrevista, vamos direto à pergunta que não quer calar: o deputado Róbson Viana disputará a reeleição em 2018? Se sim, será candidato pelo agrupamento do governador Jackson Barreto ou caminhará com a oposição?
RÓBSON VIANA: Sou candidato sim à reeleição e vamos caminhar com o agrupamento do governador Jackson Barreto. Inclusive tivemos uma reunião com a bancada aliada essa semana, discutimos alguns projetos do Estado, onde também teve uma “pitadinha” de política, quando fizemos uma avaliação do cenário para o próximo ano. A nossa ideia é fortalecer primeiramente o nosso partido para que em 20187 a gente tenha força e tenha espaço, lançando candidatos a deputado federal e deputado estadual, buscando ampliar nossa bancada na Assembleia Legislativa.

AG: Pelos encaminhamentos que foram traçados nessa reunião com os deputados estaduais, pode-se dizer que o candidato do governo em 2018 será mesmo Belivaldo Chagas?
RV: Não tenha dúvida! Eu acho que pela história de Belivaldo no Estado de Sergipe, todo mundo conhece o seu compromisso e a sua lealdade. Eu acho que é o momento dele ser candidato a governador. Isso é um consenso dentro do agrupamento. Ele conduz bem, trafega bem tanto junto com os aliados governistas como também com a oposição. Eu acho que Belivaldo é uma figura que todo mundo gosta, todo mundo conhece o seu trabalho, tem feito um bom mandato de vice-governador, auxiliando Jackson Barreto, se posiciona bem sobre algumas questões relacionadas ao governo do Estado e eu não tenho duvidas que ele será nosso pré-candidato a governador. Senti muito isso na reunião com os aliados essa semana.

AG: E quanto a possibilidade da filiação do presidenciável Jair Bolsonaro no Patriotas? Está encaminhada? Qual será seu posicionamento aqui em Sergipe? Fica no partido ou procurará outra legenda?
RV: Existe sim e isso me foi passado pela Executiva Nacional em recente reunião que tivemos em Brasília. Nós estamos aguardando, há muita especulação na capital federal e o prazo está se exaurindo e vamos aguardar se ele vai se filiar ou não. Com a filiação dele nós vamos decidir pelo nosso encaminhamento. Na próxima semana eu voltarei à BSB e vou buscar o encaminhamento do partido. Vamos sentar e conversar. Eu acho que muita coisa está indefinida no Brasil. Acho que é o momento da gente conversar muito, discutir ainda mais, para só depois a gente manifestar a nossa posição para a eleição de presidente da República.

AG: Sergipe inteiro acompanhou a aproximação do deputado estadual Róbson Viana do DEM no Estado e, consequentemente, de João Alves e Maria do Carmo. Já que o senhor vai ficar com o grupo de JB, existe a possibilidade dos Democratas caminharem junto com o agrupamento que governa o Estado atualmente?
RV: Existe sim essa possiblidade. A senadora Maria do Carmo tem um alinhamento muito forte com o governador Jackson Barreto e isso já vem há muito tempo na história política do nosso Estado. Eu tenho conversado muito com a senadora, todas as vezes que vou à BSB falo com João Alves e tenho dialogado muito com Aninha Alves, que é pré-candidata a deputada federal pelo DEM. Nós estamos discutindo esta aproximação dos Democratas do nosso agrupamento político. Eu não vou falar pelo DEM, mas existem quadros novos no partido, a legenda está se oxigenando e tenho certeza que eles serão importantíssimos na eleição de 2018.

AG: Sabe-se também que você tem participação direta neste projeto de candidatura de Ana Alves para deputada federal em 2018. Esta é realmente uma proposta para valer?
RV: Aninha tem surpreendido, é uma pessoa que tem política na veia e acompanhou muito tempo seus pais, João e Maria e o próprio ex-deputado federal Mendonça Prado. Todo mundo sabe da dedicação dela, diuturnamente, nas campanhas eleitorais deles. Depois do ex-prefeito e da senadora, ela é a política da casa, da família. Ela tem trabalhado muito, vem conversando com pessoas do Estado inteiro, eu aposto muito nela e acredito que será a grande novidade da eleição do próximo ano. Ela vem discutindo uma política de fortalecimento do DEM, em Sergipe e em Brasília. Pela sua desenvoltura, acho que este momento é todo dela, tem um grupo fechado com seu projeto e tem tudo para crescer.

AG: Existe, então, a possibilidade de uma “dobradinha” em todo o Estado entre Róbson Viana e Aninha Alves? O seu destino político pode ser uma filiação no DEM?
RV: Aninha é uma pessoa que eu vou ajudar, mas também vou fazer composições com outros candidatos a federal, como Jony Marcos (PRB), Fábio Reis (PMDB) e Fábio Mitidieri (PSD). São pessoas que já trabalham com a gente. E com Aninha não será diferente porque ela terá um papel especial neste pleito de 2018. Estamos traçando metas, promovendo reuniões em alguns municípios e a candidatura dela é para valer! Ela está disposta e vamos trabalhar. Sobre o partido eu não tenho discutido nada ainda, porque estamos bem tranquilos no Patriota. Vou fazer um ano como presidente do Diretório Estadual, estamos já com 73 Diretórios Municipais constituídos e vamos continuar fortalecendo a legenda. Na política até a eleição pode acontecer muita coisa. Vamos unir o grupo do Patriota, PDT, PTB, PSD e até o DEM.
AG: Aqui em Aracaju, no ano passado, o senhor se posicionou e apoio o então candidato Valadares Filho para prefeito da capital. Hoje, com quase 10 meses da gestão de Edvaldo Nogueira pode-se dizer que o sentimento é de decepção com a gestão?
RV: Acho que está muito cedo ainda. Eu vejo a situação da PMA e entendo que a dificuldade é geral e não apenas na capital. Acho que nós temos que aguardar. A eleição acabou, eu tive uma posição por entender que o melhor para Aracaju era Valadares Filho, mas ele não ganhou a eleição, o povo decidiu e nós temos que aceitar. O que eu puder fazer para ajudar a gestão de Edvaldo, eu farei. Porque aí eu estarei fazendo pelo povo de Aracaju. Tive, inclusive, uma conversa com o presidente da Funcaju, Silvio Santos, que é meu amigo e teremos muitas novidades sobre eventos pela frente. Temos que nos unir e somar. No momento certo a gente senta e define.

AG: Como você avalia o trabalho desenvolvido pelo líder do governo Michel Temer (PMDB) no Congresso Nacional, deputado federal André Moura (PSC)? O senhor já disse que defende Belivaldo para o governo, mas e se André for o candidato?
RV: André tem feito um trabalho brilhante no Estado, sem olhar a quem. O prefeito de Aracaju, por exemplo, conseguiu através dele a liberação de uma emenda impositiva da ordem de R$ 63 milhões. Eu acho que nós temos que aproveitar ainda mais este espaço de André Moura em Brasília, junto ao governo federal. Não podemos fazer politica pequena, moramos no menor Estado da Federação e André está certo em fazer muito por Sergipe e, em especial, por Aracaju. Ele vai deixar um legado que muita gente não deixou, com a liberação de tantos recursos. Agora, no momento certo, caberá a ele decidir seu futuro, se será candidato a governador, senador ou à reeleição. Ele faz o seu caminho muito bem e tem contribuído diretamente para o crescimento econômico do Estado de Sergipe.

AG: O que falta, exatamente, para a pré-candidatura do vice-governador Belivaldo Chagas emplacar de vez?
RV: Eu acho que o momento de Belivaldo (Chagas) será discutido até dezembro. Ele é uma pessoa muito coerente, de responsabilidade e que sabe o seu momento. Estamos aguardando o governador Jackson Barreto, que é o nosso líder maior, dar o “pontapé inicial” para que, em breve, Belivaldo possa ter mais espaços para colocar o bloco na rua e dizer que é pré-candidato ao governo. Ele está aguardando com muita consciência, muita serenidade, ele sabe do seu papel e eu não tenho dúvida que ele será o nome deste agrupamento para marcharmos juntos em 2018.

AG: Quem seria o candidato a vice? O senhor tem alguma opção? E, além de JB, quem seria o outro nome para o Senado?
RV: Acho que tudo isso ainda será bem discutido no momento certo. Vários partidos estão se manifestando, todo mundo tem direito. Primeiro vamos definir logo que Belivaldo será o candidato a governo. Depois vamos ver quem soma mais dentro desse contexto no grupo. Acho que tem muita gente boa, muita gente nova. Temos que ter responsabilidade para indicar uma pessoa que venha agregar e somar. Todos os partidos têm suas alternativas e vamos ver o melhor nome. Nós nem discutimos a questão de Senador ainda. Teremos uma reunião ampla neste sábado (7), com a participação de todo o grupo. Vamos encaminhar no sentido que, até dezembro, a gente já tenha um cenário praticamente definido. Por enquanto Belivaldo ainda não disse que é candidato. Mas este cenário irá mudar.

AG: Para encerrar a entrevista, a avaliação negativa do governo de Jackson Barreto pode atrapalhar diretamente uma candidatura de Belivaldo Chagas ao governo?
RV: A gente sabe desta rejeição, das dificuldades do governador em várias áreas, mas o governo tem se colocado à disposição, tem procurado caminhos para problemas como a questão dos salários dos aposentados. Nós estamos procurando a “luz no fim do túnel”! Mas é como Jackson diz: Sergipe não é uma ilha e as dificuldades afetam todos! Ele tem buscado resolver e o povo conhece o nosso agrupamento. Acho que confiará mais uma vez e nós iremos eleger o nosso candidato a governador.

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